I MOSTRA NACIONAL AUDIOVISUAL ES

É com muita satisfação que a Coordenação Geral do VII COLARTES 2019 vem convidá-lxs a participarem da I Mostra Nacional Audiovisual ES: Há um lugar para a arte?, a ser realizada na cidade de Vitória/ES, de 20 a 22 de agosto, das 19h às 20h30, no Cine Metrópolis, da Universidade Federal do Espírito Santo. A mostra tem o apoio do Cine Metrópolis, Superintendência de Cultura e Comunicação da Universidade Federal do Espírito Santo, GAEU e FUCAM.

Com curadoria de Jessica Dalcolmo e Lindomberto Ferreira Alves, a primeira edição da mostra se constitui e ganha materialidade a partir dos olhares de 28 artistas convidados, atentos ao poder inquietante e provocador que a explosão da obra na vida tem promovido ao fazer artístico na condição histórica do presente. A mostra integra a programação artístico-cultural do VII COLARTES 2019, e em linhas gerais propõe extrapolar as discussões puramente academicistas, acolhendo e incorporando aos eixos estruturantes desta edição do evento, outros espaços para se inquirir sobre a questão peremptória e nada circunstancial: há um lugar para a arte?.

Em sua primeira edição, a Mostra Nacional Audiovisual ES: Há um lugar para a arte? conta com a participação de: Alexandre Sequeira (PA), Amanda Amaral (ES), André Arçari (ES), Cao Guimarães (MG), Castiel Vitorino Brasileiro (ES), Diego Nunes (ES), Erly Vieira Jr (ES), Fernando Ribeiro (PR), Gabriela Caetano (SC), Geovanni Lima (ES), João Victor Coser (ES), Marcos Martins (CE), Marcus Vinícius (ES), Mariana Teixeira Elias (SP), Mavi Veloso (SP), Miro Soares (MG) & Bruno Zorzal (ES), Mônica Nitz (ES), Natália Farias (ES) & Reyan Perovano (ES), Natalie Mirêdia (ES), Paulo Bruscky (PE), Rafael Segatto (ES), Rebeca Ribeiro (ES), Rubiane Maia (ES) & Renata Ferraz (SP), Shima (SP) e Wagner Rossi Campos (MG).

A mostra se constitui como um trampolim para o confronto com a própria experiência estética, em especial a do campo audiovisual, meio profícuo de ampliação e complexificação sobre as múltiplas formas de se discutir a arte na contemporaneidade. Sendo assim, a finalidade é apresentar ao público um pequeno recorte da produção em audiovisual de artistas e pesquisadores com projeções nacional e internacional, que buscam, cada um à sua maneira, não só uma inflexão sobre a nossa atualidade, como, também, uma contestação dos regimes de (in)visibilidade das relações sistêmicas da arte, conduzindo a afirmação de novas dimensões do estético, distintas dos sistemas de valores essencialmente artísticos.

Se o contexto atual, não por acaso, parece ruir a cada dia as bases das instituições de ensino e cultura do país, subentendendo a antítese de que uma sociedade poderia viver sem arte e cultura, a mostra objetiva promover um espaço prolífico de reflexão crítica a partir da complexa rede de experimentações poéticas engendradas por artistas locais e nacionais de nossa época. 

Confira abaixo os trabalhos que integram a mostra, e o programa detalhado de suas exibições. Encontra-se disponível para download, também, o catálogo da I Mostra Nacional Audiovisual ES: Há um lugar para a arte?

Esperamos por vocês!

CATÁLOGO - I MOSTRA NACIONAL AUDIOVISUAL ES: HÁ UM LUGAR PARA A ARTE?

Antes dos Vermes o Clero Inteiro. 8', Vídeo, 2006.

Miro Soares [MG] & Bruno Zorzal [ES]

Uma não-narrativa de coisas quando outras coisas. Antes dos Vermes o Clero Inteiro é um trabalho que se insere no contexto da vídeoarte. Não é uma ficção, nem é um documentário, tampouco apresenta uma narrativa clara. É uma tentativa de construção de novos significados a partir de imagens que não tem relação direta entre si. É nesse sentido que aparece a frase incidental do vídeo, empregada como correspondência: "O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo". A frase é de Gabriel García Márquez e está presente no primeiro parágrafo do clássico Cem Anos de Solidão. O vídeo combina planos de enquadramento exigente com planos tomados ao acaso, por força do momento. Posiciona-se entre as margens da ficção, das ações artísticas e da vida cotidiana. Evoca, com sua estética minimal, um universo singular que se reporta de algum modo à literatura fantástica de escritores sul-americanos como Jorge Luis Borges, Julio Cortázar e Gabriel García Márquez ou do italiano Italo Calvino. O título foi recortado de um diálogo entre os próprios realizadores e corresponde mais à linguagem artística empregada do que ao conteúdo diretamente visível no trabalho.

Sirva-se. 32'44", Videoperformance, 2017.

Geovanni Lima [ES]

O artista, nu, se posiciona em frente a um computador conectado a rede de internet e se oferece ao espectador que o contempla. A ação foi gravada em um site de conversação online que possibilita interação e aperfeiçoamento de idiomas variados. Normalmente, os usuários fogem dessa utilização e criam uma narrativa paralela: exibem corpos esculturais e buscam experiências sexuais online. A contraposição do corpo negro, gordo do performer ao dos demais indivíduos estabelece reações de estranhamento.

A seta do futuro aponta para frente. 3', Vídeo, 2019. 

Rafael Segatto [ES]

Ebó para refletir sobre a ideia de movimento a partir do o universo das águas e seu ciclos de marés. A obra tem o intuito de investigar o tempo através de Exu, orixá responsável por dar movimento ao mundo, a partir da transformação de uma imagem fotográfica em um objeto fílmico.

Palavras, Folhas, Alices, Doralices e Marias: delas a cura para estar na cidade. 21'40", Vídeo, 2019.

Rebeca Ribeiro [ES]

Ancestralidade é um fio que conduz ao passado e ao presente fazendo com que os fios da meada soltos se juntem a fazer um manto que é sagrado e que nos acolhe da frieza do mundo. Eu sou por elas que me antecedem. Eu desato os nós, e vasculho fundo uma história que não começa em mim, e que nesse tempo sou a guardiã dessa história no meu corpo, nas minhas ações e vivências em ser uma mulher que é um tanto Alice, Doralice e Maria. Ao pisar na terra que é mãe eu peço licença, ao tocar nas folhas para me curar eu observo o que elas me ensinaram, e só assim continuo o meu percurso para falar com as mulheres que me cercam, o caminho de cura e que aprendi com a terra e com elas. Pelas folhas, rezas, orações, fotos, formas de ser do meu hoje, memórias e outras narrativas, eu acesso o que sou e onde quero chegar. A partir delas, traçar caminhos que são possibilidades de cura nos quais os pés ao pisarem, fazem ecoar pela cidade o que é sagrado. Folhas que lavam concreto, anunciando a limpeza e espalhando no chão os passos de guerreiras. A cidade me cura ou me fere? E onde me fere, como posso ser cura? Voltar ao passado e pegar estratégias de sobrevivência no território, necessárias para pisar devagar e não ter medo do chão, mas sim habitar nele fazendo rastros e pontos para se curar.

ÁDITO. 14'54", Curta Metragem, 2017.

Rubiane Maia [ES] & Renata Ferraz [SP]
Ádito é um filme que entrelaça a pesquisa artística de duas mulheres artistas - uma com foco nas Artes Visuais e outra no Cinema. Trata-se de uma narrativa escrita a quatro mãos, na qual ambas estão atrás e também na frente da câmera 'interpretando' a si mesmas como personagens. Rubiane absorta em um estado de ausência, e Renata sua misteriosa acompanhante. Entre situações de proximidade e distância que se dão em meio a paisagem, Ádito revela fragmentos de memória e crise através de deslocamentos que conectam ficção e vida real.

Parede-Malecón. 5'45", Videoperformance, 2016.

Marcos Martins [CE]
Fortaleza, paredes de tijolos, a câmera fixa-se em um único enquadramento onde o muro ocupa o protagonismo de todos os movimentos e tensões que se dá em razão de sua existência, o mar se esconde por detrás do muro onde o céu se debruça com delicadeza, provocando um deslocamento da linha do horizonte para um ponto mais elevado, dividindo assim, o céu do asfalto. A auto-pista por onde correm os carros, recobre-se por um espelho d'água, que duplica o céu e as ondas que engolfam o corpo do perfomer, abraçando-o e revestindo seu corpo de águas, enquanto posiciona-se de costas para a câmera à mirar o horizonte expandido a sua frente, equilibrando-se tenta fixar-se ereto e rente ao muro, compartilha com o ele a experiência de ser um só corpo. Um corpo-arquitetura que se veste de tijolos encharcados, enquanto o tronco dilata-se no horizonte gris, onde esconde-se o Sublime (Kant) que se manifesta no mar, que vira céu, e no céu, que vira mar.

EDITORIAL DE AUTODESTRUIÇÃO / PLASTIC FILM. 5'42", Videoperformance, 2015.

João Victor Coser [ES]
A idéia sufocante do vídeo nasce de alguns pensamentos em torno do sujeito: de como sua psique é afetado por uma sociedade viciada por um fluxo de informações contabilizado pela mídia que massacra e agem por diversos meios, e geram sujeitos virais, construídos através da indústria, por identidades articuladamente reproduzíveis. O vídeo inicia com o persona posto diante da câmera que o observa. Em suas mãos um filme plástico que o sufocará durante os próximos minutos. Com gestos repetidos que oras são lentos e outras aceleram, constrói uma narrativa em atos de submissão e erotismo, e que diante da câmera que o acompanha, capta o sujeito entregue a situação. O ultimo ato é a ressignificação dos primeiros segundos do vídeo, um movimento de vida e morte, do ciclo que fecha e se revela. 

Sem título. 14'11", Vídeo, 2015-2018.

Amanda Amaral [ES] 
Resultado do processo de monografia, a partir dos conceitos de lugar (site) e não-lugar (non-site) desenvolvidos pelo antropólogo Marc Augè, bem como ancorado na produção do artista Robert Smithson. Buscou explorar os espaços vazios e abandonados da cidade de Vitória como campo de investigação para o vídeo e seus processos interventivos. Narrativa fílmica produzida na experiência e nas trajetórias do afeto e da memória. O caminho percorrido pela prática de um corpo-câmera que questiona: a quem interessa os lugares, não-lugares e os espaços em estado de abandono? Em que medida eles nos provocam e como estão situados nessas tipologias?

Everything imaginable can be dreamed... 7'42", Vídeo, 2012.

Marcus Vinícius [ES] (1985-2012)
Uma história. Uma história obscura.
Uma história sobre mim, sobre meu mundo. 
Encontre um lugar inventado. Terras intocáveis. Algo fora do mapa. Atravessar florestas, jardins, verde, cinza. Um lugar subjetivo. As cidades - como os sonhos - são construídas por desejos e medos, ainda que o fio condutor de seu discurso seja secreto, que as suas regras sejam absurdas, as suas perspectivas enganosas, e que todas as coisas escondam uma outra coisa. Outra paisagem, talvez mais concreta. Em verdade, a ideia de paisagem imaginável é uma atração. No sentido mais abstrato, de ausência de coisas, espaços vazios, caminhos que desaparecem, reaparecem, de possibilidades míticas. Desejos e buscas por algo que nunca virá, o espaço é uma dúvida.

Pra casa agora eu vou. 9'23", Falso Doc, 2012.

Erly Vieira Jr [ES] 

De forma radicalmente irônica e bem-humorada conta a estória de Cristian Robinescu III, ativista de um grupo clandestino dedicado à libertação de anões de jardim e respectiva recondução a seu habitat natural - a floresta. O vídeo é narrado pelo protagonista, expondo suas motivações, seu histórico como ativista e seu método - que, além dos sequestros clandestinos de estátuas, inclui uma customização dos anões, adornados por adereços que traduzam sua nova identidade como seres livres.

PLANTA - IMporta.EXporta. 9'45", Videoperformance, 2019.

Wagner Rossi Campos [MG]  

Registro de uma intervenção urbana realizada dia 16 de julho de 2019 na cidade de Buenos Aires/Argentina. Por ser uma performance, busco trazer elementos que se relacionam com a minha situação atual de auto exílio, escolhendo um percurso que me leva de um espaço privado e íntimo para um espaço aberto e potente em suas questões políticas e sociais. Carrego comigo, nessa caminhada, plantas dentro de uma mochila. A caminhada tem início em San Telmo, Buenos Aires, bairro com características muito específicas e bem turístico e tradicional, seguindo até a Praça de Mayo, a mais antiga da cidade e cenário de todos os acontecimentos políticos importantes da história da Argentina. Uma caminhada pode ser potencializada como percurso de reflexão sobre o lugar do artista e suas formas de pensar e viver a arte. Neste trabalho, busco contato com as expressões desse sentir estrangeiro, corpo exportado, que caminha errante em seus devaneios e se fixa no território social político, território de corpos vivos e mortos, evidenciando potências clandestinas de vida e arte. As plantas que carrego nas costas, vivas e mortas, são plantas que manifestam esse jogo entre realidades visíveis e invisíveis, assertivas e em queda, buscas infinitas sobre qual lugar pertenço.

Protocolo. 1'45", Vídeo, 2010.

Shima [SP]

Protocolo
Datação
1712 cf. JM3
Acepções
■ substantivo masculino 
1 selo que os antigos romanos punham nos registros dos atos públicos 
2 ata, registro de atos oficiais 
2.1 na Idade Média, registro dos atos públicos 
2.2 registro das audiências nos tribunais 
2.3 registro de uma conferência internacional ou negociação diplomática 
2.4 livro de registro da correspondência oficial de uma empresa, universidade, repartição pública, etc. 
Ex.: registrar o requerimento no p. 
3 Derivação: por metonímia. Regionalismo: Brasil. 
cartão ou recibo em que o protocolador anota a data e o número de ordem com que foi registrado no livro de protocolo um processo ou requerimento 
4 Derivação: por extensão de sentido. Regionalismo: Brasil. 
a seção onde trabalha o protocolador 
Ex.: fazer passar um requerimento pelo p. 
5 conjunto de normas reguladoras de atos públicos, esp. nos altos escalões do governo e na diplomacia; cerimonial 
6 Derivação: por extensão de sentido. 
característica do que segue normas rígidas de procedimento; formalidade, etiqueta 
Ex.: quebrar o p. 
7 acordo entre duas ou mais nações, menos importante que o tratado ou a convenção 
8 versão preliminar de um acordo entre países 
Ex.: p. de intenções
Locuções
p. de comunicação 
Rubrica: informática. 
apanhado de normas e especificações técnicas que regem a transmissão de dados entre computadores; protocolo de transmissão de dados 
p. de transmissão de dados 
Rubrica: informática. 
m.q. protocolo de comunicação 
p. de transmissão de dados 
Rubrica: informática. 
m.q. protocolo de comunicação
⠀ 
Etimologia
lat.medv. protocollum (945) 'protocolo de notário público, (1166) ato original, (sXIV) registro de chancelaria', pelo fr. protocole (1330 sob a f. prothocole) 'registro autêntico, (1655) a primeira nota, caderno ou registro, ou seja, o resumo e o sumário que os notários chamam sumptum, (1823) processo verbal autêntico das deliberações de uma conferência, (1859, no snt. protocole diplomatique 'protocolo diplomático') regras do cerimonial a serem seguidas nas relações políticas oficiais entre Estados e também entre ministros', emprt. ao lat.medv. protocollum < gr.tar. prótókollon 'primeira colagem de cartas que trazem diversas indicações que as autenticam', formado de prôtos 'primeiro' + kólla 'goma, donde cola'; ver prot(o)- e col(a/o)-; f.hist. 1712 portacolo, 1720 protocollo, 1836 protocolo
Fonte: Dicionário Houaiss

Quando Lembrei, voltei. 3'07", Vídeo, 2019.

Castiel Vitorino Brasileiro [ES]

Voltar para lembrar, lembrar para voltar.

Arte/Pare. 3'06", Intervenção Urbana, 1973.

Paulo Bruscky [PE]
Arte/Pare é um projeto de arte na rua que consiste na reinauguração da Ponte da Boa Vista, construída em 1633. O artista colocou uma enorme fita cor de rosa com um laço na cabeceira da ponte e faixa/calçada de pedestres, fazendo com que o tráfego do centro da cidade ficasse congestionado durante vários minutos e criando situações inusitadas para os transeuntes, que não retiraram a fita. 

Passagem. 5'28", Vídeo, 2008.

Gabriela Caetano [SC]

O que se pode ver é uma mudança temporal que acontece diante dos olhos, sem que ao menos uma das formas apresentadas sofra modificações. Vemos uma única imagem em preto e branco. A cor é quem conduz o movimento. Tudo se inicia em branco. Aos poucos a imagem fotográfica aparece na tela. Na medida em que o contraste desta foto vai se acentuando, vamos conseguindo visualizar a imagem. Segue assim até se obter uma visão bem escura. O fundo preto assinala o fim do vídeo.

Meu mundo teu. 12'47", Vídeo, 2018.

Alexandre Sequeira [PA]
Dois adolescentes que não se conhecem trocam impressões sobre suas realidades a partir de cartas e fotografias. A mescla dessas informações de mundo apresentadas por Tayana Wanzeler, moradora do bairro do Guamá na cidade de Belém e Jefferson Oliveira, morador da ilha do Combú na região amazônica, é o insumo que Alexandre Sequeira lança mão para conceber uma proposição artística que revela uma nova realidade construída a partir do diálogo estabelecido entre esses dois adolescentes. Utilizando procedimentos de registro fotográfico como câmeras artesanais de um e dois orifícios e câmeras convencionais com dupla exposição de filmes, Alexandre promoveu ao longo do ano de 2007 encontros fotográficos com Jefferson e Tayana na busca da construção desta "rede de afetos". O resultado são imagens que confundem diferenças e semelhanças num todo que aponta para novas significações adquiridas a partir desse encontro.

Minha avó é uma fotografia. 15'30", Documentário, 2018.

Monica Nitz [ES]
Minha avó Fotografia, um romance que começou em agosto e uma busca por memórias acerca de um acervo fotográfico de família. Talvez, você compartilhe comigo desta radical mudança do registro e disseminação da imagem. 

Forma geral da experiência. 1', Vídeo, 2019.

Natalie Mirêdia [ES]
O vídeo "Forma geral da experiência" faz jus ao tema do Colartes 2019 com a seguinte indagação: A arte quer um lugar para si? Nas suas instâncias burocráticas há espaço para a experimentação? Há um espaço na arte para a indeterminação? O inacabado? E o que nunca será terminado? Esse trabalho surge de um processo contínuo, e segue seus fluxos e refluxos desejando tomar para si um espaço na arte.

Cosmorama Solaris. 6'20", Vídeo, 2016.

André Arçari [ES]
Para Tarkovski, com amor.


ORGANISMO. 2'04", Vídeo, 2014.

Diego Nunes [ES]
Seria a cidade um grande organismo? Partindo da ideia de uma pós humanidade, onde o homem é um ciborgue, que se utiliza da invenção e apropriação de tecnologias mil para reinventar sua produção de vida, recolho pedaços de minhas cartografias cotidianas, que transitavam entre as cidades de Vitória e São Paulo e crio um arqueologia das minhas andanças pela cidade, onde registro os pontos que permeiam o meu dia a dia. Se o corpo já é pós-moderno, numa simbiose do orgânico com a máquina, o nosso habitat natural não seria a urbe?

EL PINTOR TIRA EL CINE A LA BASURA. 5', Curta-metragem, 2008.

Cao Guimarães [MG]
Filme-gag, filme-joke, a coisificação da tela fílmica. Nota irônica sobre os caminhos que o cinema pode tomar.

Para Ingmar Bergman, com amor. 5'45", Vídeo, 2015.

Mariana Teixeira Elias [SP]
Capturei meus percursos com um celular e os editei de forma que criassem uma narrativa. Me apropriei de diálogos dos filmes "Persona" e "Sétimo Selo" de Ingmar Bergman e com eles construí um novo diálogo.

A verdade anulada. Abominação é crime cristão. 5'37", Vídeo, 2019.

Natália Farias [ES] & Reyan Perovano [ES]
O vídeo questiona a responsabilidade e o papel da religiosidade cristã em relação à realidade lgbtqia+fóbica brasileira. A partir das vivências católicas das autoras, a ironia é estratégia chave na construção do vídeo. Desse modo, desloca-se o símbolo do terço e de suas usuais orações a fim de enfatizar relatos reais de violência ocorridas. O símbolo do terço é escolhido por seu caráter de penitência, e devido a sua monótona repetição, traça-se um paralelo aos recorrentes casos de lgbtfobia. Com a finalidade de ecoar vozes, outra estratégia utilizada na videoarte é a apropriação. Assim "A verdade anulada" é retirada de Boy Erased e o texto inicial, utilizado no credo, é apropriado de Viviany Beleboni, atriz que se crucificou durante 19ª parada LGBT de São Paulo.

Bordando a paisagem. 6'11", Videoperformance, 2018.

Fernando Ribeiro (PR)
Em dezembro de 2018 o artista Fernando Ribeiro foi convidado a fazer uma performance no deserto de Negev em Arad, Israel. Sendo a sua primeira experiência com o deserto, o artista propôs em bordar o deserto. Com novelos de lã o artista começou a envolver pedras distantes conectando-as e criando um caminho em que se perdia dentro do deserto. A performance durou 3 horas.

Sacred (Prayer Lil Mum). 6'39", Vídeo, 2018.

Mavi Veloso [SP]
"O corpo é um lugar sagrado de todos os modos. Seja doando seu suor, seus músculos, deixando o outro se utilizar de si, seja pelos poros, os ossos, o outro entrando pelos olhos, pela boca, pelos ouvidos. Quer você arreganhe suas entranhas e ele entrar ou sair, seja vendendo seus cabelos, as unhas, costurando novelos ou dando seu cu. Seja sangrando sua buceta, o caralhão, a porra, a baba que nos gosmeia... O corpo é um lugar sagrado de qualquer jeito seja pelo feito, pelo refeito, pelo perfeito, pelo avesso, pelo qualquer direito, calcanhar de aquiles, as minhas fraquezas te fortalecerão, a minha beleza os amadurecerão. Gozaremos fervos, trôpegos desterros, sem eira nem beira se propagarão. Minha mãe, este é sagrado, meu corpo me pertence. Cuidarei até que nela, cravo, cominho, canela, esta pele verde amarela experimente todos os erros, compromissos com mil destinos... Ainda não sei o caminho, não sei quantos seremos, não sei se temos vela, aquela pica rosa amarela... Mas eu sei o pequeno, aquele miudinho, simplizinho. Eu te amo mesmo sempre por todo esse meu ninho, aqueles tantos séculos, por séculos e séculos, e séculos amém!"

APRESENTAÇÕES ARTÍSTICAS E CULTURAIS

Exposição Arte Ecoternura . Arte Ecossustentável 

Dida Áurea Tomé & Maria Marta Morra Tomé
Dida Áurea Tomé: Artista capixaba, autodidata, está envolvida com a arte ecossustentável há mais de 30 anos. Realiza a Oficina Ecoternura desde o ano de 1994 e com esse trabalho já atuou em quase todo território nacional, tendo algumas experiências na América Latina. Lançou no ano de 2013 o livro ECOTERNURA - NOVO CICLO (Serra-ES), e atualmente trabalha e reside na Serra - ES, no Espaço Ecoternura, localizado em Jacaraípe, na Vila das Artes.
Maria Marta Tomé: Nasceu em 1971, em Guaíra, Paraná. Artista Plástica (UFES-2001). Mestranda em História, Teoria e Crítica da Arte do Programa de Pós-Graduação na UFES (2018/2020), com Ecologia e resistência em Frans Krajcberg. Membro do grupo de pesquisa Crítica e experiência estética em Gerd Bornhein com Prof. Dr. Gaspar Paz. Atualmente expõe seu trabalho na Serra, no Espaço Ecoternura, localizado em Jacaraípe, na Vila das Artes. Suas composições tridimensionais, ressignificam e evidenciam o elemento natural, sendo este o lugar da sua experiência estética.

Grupo "Cantando o Choro" apresenta a arte musical e poética do chorinho brasileiro

Dulce Elisa Lodi, Marina Pedreira Aragão & Sérgio Lobão
O grupo Cantando o choro tem como proposta principal apresentar um repertório
composto por choros brasileiros, em versões cantadas e instrumentais. Resgatando a
memória do choro, traz ao público e principalmente à nova geração, o conhecimento e o gosto por esse gênero musical genuinamente brasileiro e de boa qualidade. Partindo de um vasto conteúdo de choros famosos e raros, o trio trabalha também com canções da MPB, sambas e músicas regionais.
Formado em setembro de 2017 em Vila Velha, especificamente na Barra do Jucu, o trio se destaca pela sua versatilidade e capacidade de apresentar um repertório diversificado, agradável e sensível. O grupo vem se apresentando em diversos eventos, desde sua fundação.
O trio é composto por Dulce Elisa Lodi e Sérgio Lobão que começaram no choro por volta do ano 2.000, acompanhando ao pandeiro e violão de 7 cordas um grupo local chamado Regional do seu Chiquinho. Prosseguem no choro e agora incluem letras em seu repertório e a flauta transversa, para os solos e acompanhamentos. Dulce é cantora e pandeirista e Sérgio Lobão é multi-instrumentista de cordas: violão, cavaquinho e bandolim. Marina Pedreira Aragão é flautista e sua ligação com a música se iniciou aos sete anos de idade, tocando violino na escola de música Pró- Música, em Juiz de Fora, onde fez parte da Orquestra do Pró-Musica e orquestra Filarmônica. Mais tarde começou seus estudos de flauta doce (soprano, contralto e tenor). Estudou flauta Transversa no Conservatório de Música Haidée França em Juiz de Fora e fez parte por um longo período, do grupo de Música Antiga e Medieval In sécula. Atualmente cursa o mestrado em Artes Visuais na Universidade Federal do Espírito Santo e é flautista do grupo Cantando o choro.

Performance "Mulheres que transam"

Rosemery Casoli 
Esse trabalho é parte do desenvolvimento do projeto de pesquisa apresentado ao curso de Mestrado em Artes da Universidade Federal do Espírito Santo - UFES, cujo processo de pesquisa se relaciona à transformação de um corpo dócil feminino em um corpo transgressor feminino, tendo como base um diálogo entre Foucault e Simone de Beauvoir. Esse projeto, elaborado inicialmente como uma pesquisa intrapessoal, tornou-se um diálogo de reestruturação da mulher, e, através dos estudos mais aprofundados nas teorias embasadoras, se transformou numa abordagem ampla no enfrentamento às violências praticadas contra mulheres.
As questões norteadoras para a criação dessa performance, que enlaça poesia e movimentos corporais, partem da relevância em se verbalizar, também, de maneira artística, a valorização da mulher como sujeito de direitos. Usamos a nossa arte para expressar o repúdio que sentimos ao sermos apresentadas como objeto de prazer e lazer de uma nação.
A poesia criada, a música escolhida, o figurino elaborado e a montagem coreográfica, são resultados de pesquisas sobre as vivências de mulheres de épocas distintas, porém, as similaridades existentes entre as vivências, do ontem e do hoje, do coletivo feminino, assinalam a importância em se escovar o passado a contrapelo. Nesse contexto de estudo, objetivamos traçar linhas mais eficazes de enfrentamento às violências praticadas contra as mulheres na atualidade.
Sabemos que não será possível mudar o passado, mas, podemos através da arte, transformar o presente para construir o futuro. Por isso, essa performance objetiva demarcar mais um lugar de fala para as mulheres dentro do mundo da arte e trazer novas possibilidades para os enfrentamentos diários ao pensamento machista de coisificação do corpo feminino. Neste contexto de estudo, objetivamos fortalecer e tornar mais eficazes as linhas de enfrentamento às violências praticadas contra as mulheres na atualidade.
Rosemery Casoli possui graduação em 911 - Artes Visuais - Licenciatura - Noturno pela Universidade Federal do Espírito Santo (2017). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Ensino Médio. Professora de Artes Visuais e pesquisadora do FORDAN - CEFD/UFES: Problematização e enfrentamento das violências. Pesquisadora do NEI/UFES: Núcleo de Estudos Indiciários. Bolsista CAPES (2018- ) Produção 2017: Pinturas em lona denunciando a violência contra a mulher: "Liberdade" ( leia-se, liberdade em construção), Máscaras - Medo, Abstração, Aquilo, Suicídio, Despertar, Juntando os pedaços, Empoderada e .Rasgando o passado. Coreógrafa, figurinista, bailarina e performer. Produção 2017: coreografia "juntando os pedaços: enfrentamento da violência doméstica contra as mulheres". Produção 2018: Performance: Sentindo na Pele e Balada do Louco; Coreografia: Reconstrução: eu e você somos nós.

Instalação Tsuru

Discentes da disciplina "Arte Pública", 2019/1, do Mestrado em Artes - PPGA/UFES
Famoso origami, o tsuru, ave sagrada do Japão, símbolo de boa sorte, felicidade, longevidade e fortuna, comporá a instalação que será montada no entorno de algumas árvores no gramado entre os Cemunis I e II. Os cerca de 5 mil tsurus serão instalados nos círculos de folhas secas que circundam as árvores. A intervenção artística será executada pelos alunos da disciplina Arte Pública, do curso de Mestrado do Centro de Artes, orientados pelo professor José Aparecido Cirilo.
Estudando sobre arte pública, a partir de autores como José Guilherme Abreu e artistas como Siah Armajani, os alunos debateram os conceitos de escultura e instalação e resolveram ressignificar o tsuru. A intenção de usar os tsurus é desejar também boa sorte ao Colartes 2019. Para chegar aos cerca de 5 mil tsurus, os alunos toparam fazer em sala de aula e em casa.
Que significa isto realmente? Que devemos nos integrar de tal maneira com o mundo vivo num permanente processo que complemente, e não destrua o que a Natureza nos apresenta. Os tsurus, feitos com papel, ficarão expostos e poderão ser levados por quem quiser, demonstrando um bom astral. A ideia da instalação ao ar livre é que os visitantes possam interagir e até ajudar a compor a obra.

Performance "É Oyá Igbalé!!!" 

Victor Cirilo & Rosemery Casoli
A Arte que faz a Luta: historicamente a cultura afro vem sofrendo um processo de racismo, um resultado da hierarquização das culturas que as separou em duas, Popular e Erudita. Devido a inferiorização de qualquer traço afro, esta cultura cresceu nas periferias como ato de resistência, luta antirracista. O afoxé uma manifestação artístico-religiosa vinculada às práticas do candomblé traz consigo um caráter de resistência, revigorando uma luta antirracista contra o processo de preconceito étnico-cultural. 
Como individuo negro, artista e simpatizante as religiões de matriz africana venho por meio deste propor uma performance chamada "É Oya Igbalé!!!", um ponto religioso dedicado ao orixá dos eventos que guia os ancestrais "eguns" separando os vivos dos mortos, levando embora as energias ruins e trazendo energias boas. A dança consiste em movimentos rápidos, giros, gritos e movimento circulares com as mãos que fazem referência aos ventos que Iansã cria ao passar pelos céus. Entre o corpo e a minha ancestralidade uso o processo criativo da performance para enaltecer uma Arte que também é luta e que se faz presente mesmo nos espaços elitizados e que privilegiam movimentos da cultura Erudita, levanto a bandeira da cultura afrodescendente que resiste e que quer o direito de respeito diante das demais culturas.
Victor Cirilo (Gleydson Victor Cirilo) é pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo. Tem experiência na área de Artes. 
Rosemery Casoli possui graduação em 911 - Artes Visuais - Licenciatura - Noturno pela Universidade Federal do Espírito Santo (2017). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Ensino Médio. Professora de Artes Visuais e pesquisadora do FORDAN - CEFD/UFES: Problematização e enfrentamento das violências. Pesquisadora do NEI/UFES: Núcleo de Estudos Indiciários. Bolsista CAPES (2018- ) Produção 2017: Pinturas em lona denunciando a violência contra a mulher: "Liberdade" ( leia-se, liberdade em construção), Máscaras - Medo, Abstração, Aquilo, Suicídio, Despertar, Juntando os pedaços, Empoderada e .Rasgando o passado. Coreógrafa, figurinista, bailarina e performer. Produção 2017: coreografia "juntando os pedaços: enfrentamento da violência doméstica contra as mulheres". Produção 2018: Performance: Sentindo na Pele e Balada do Louco; Coreografia: Reconstrução: eu e você somos nós.

Choro entre amigos

Michele de Almeida Rosa Rodrigues, Marcelo Rodrigues de Oliveira, Batian Marcelo Herrera Figueroa, Diego Martins Paz e Maicon Gomes Damacena
Uma releitura do choro regional, contemplando os instrumentos como flauta, clarinete, escaleta, violino, violão 7 cordas, teclado e pandeiro. A proposta é difundir o choro com instrumentos que não são comuns a formação original. O repertório a ser tocado será diversificado, traremos os compositores clássicos do choro como Pixinguinha, Waldyr Azevedo, Jacob do Bandolim e dentre outros. Além desses, difundiremos os choros que não são muito conhecidos dos compositores Luis americano, Astor da Silva, Luciana Rabello e entre outros. 

Águas de Nanã

Solo de Dança Afro por Elis Gonçalves
Águas de Nanã retrata as lendas da Baba Nanã senhora da sabedoria e da maturidade que auxiliou na criação do ser humano rainha de um povo de reina sobre a morte. E que foi tomada como esposa por Oxalá com intuito de reter para si esse poder. Mais uma mulher que precisou lutar contra o domínio e interesse dos homens.
Águas de Nanã é concebida através da junção de movimentos oriundos do cotidiano das religiões de matrizes com base na técnica de Mercedes Batista e movimentos básicos da dança moderna inspirados nas performances de Isadora Duncan. Transita entre a ancestralidade e a sensibilidade Espiritual. Carga histórica proveniente deu corpo emente fora de todos os padrões. Utilizando se de movimentos simples, místicos naturais. 
No solo Águas de Nanã busca inquietar e confrontar corações, sentidos e corpo da dança e reafirma que sim todos os corpos dançam. Transita entre a referência de um corpo e sua ancestralidade e com a necessidade de se expressar se isso sem ainda dominar os códigos da dança tendo como ferramenta principal a corporeidade de uma mulher negra e totalmente fora dos padrões. Aguça a capacidade do movimento humano de conectar se a sentimentos e desejos nesta relação complexa entre a dança ancestralidade e transcendência.
Elis Gonçalves (Elisangela Gonçalves Ferreira) é estudante do Curso de qualificação de dança afro brasileira cênica do Museu Capixaba do Negro Veronica Da Pás.